Quando te vi pela primeira vez bebias um café de olhar vazio. As tuas mãos tremiam e os teus abraços pareciam não ter a força suficiente para levar a chávena à boca onde se arquitectavam os lábios de uma cara que era um edifício clássico com varandas azuis.
Eu pedi café e tu procuravas um dos bancos altos onde pudesses sentar-te e refugiar-te da fragilidade molhada pela chuva forte.
Olhaste-me com o desinteresse habitual de quem nos olha com a fria e normal imensidão que transforma qualquer aproximação num apenas improvável momento que por momentos a nossa imaginação desenha. Era um café frio, só com balcão -servia a rotina de um café rápido.
Depois tu olhaste para mim eu para ti, tu para mim e eu para ti, intercalando tudo isto com um interesse vago pela vida fabulosa do fundo das nossas chávenas como estudantes de uma sina mágica que estaria para acontecer em breve.
-Olá -Tu sorris. –Olá. Eu respondo e sorrio.
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2 comentários:
percebo-a...sei da sua fragilidade e tremor de mãos...e das visões que o fundo de uma chávena de café nos trás.
I felt that...
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