quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Cor

Como o fogo de artificio ou o nascer do sol. No escuro, fizeste cor na minha vida.

sábado, 12 de julho de 2008

De um café

Quando te vi pela primeira vez bebias um café de olhar vazio. As tuas mãos tremiam e os teus abraços pareciam não ter a força suficiente para levar a chávena à boca onde se arquitectavam os lábios de uma cara que era um edifício clássico com varandas azuis.
Eu pedi café e tu procuravas um dos bancos altos onde pudesses sentar-te e refugiar-te da fragilidade molhada pela chuva forte.
Olhaste-me com o desinteresse habitual de quem nos olha com a fria e normal imensidão que transforma qualquer aproximação num apenas improvável momento que por momentos a nossa imaginação desenha. Era um café frio, só com balcão -servia a rotina de um café rápido.
Depois tu olhaste para mim eu para ti, tu para mim e eu para ti, intercalando tudo isto com um interesse vago pela vida fabulosa do fundo das nossas chávenas como estudantes de uma sina mágica que estaria para acontecer em breve.
-Olá -Tu sorris. –Olá. Eu respondo e sorrio.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Olhos

Tudo começa por um olhar: primeiro de ver depois de virmos...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Solução

Ao ouvido digo-te tantas coisas que já uma vez ou em muitos ombros disse distinguindo apenas que este grau de as sentir é um forte concentrado indissoluvel desta nossa química.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Perfume

É bom chegar a casa e haver o teu cheiro nos meus lençóis, no meu quarto, no corredor e em todos os lugares onde conseguimos fazer amor ontem pela noite. Adoro interromper a tua tarde dizendo-te tudo isto, que tenho saudades tuas e que voltes depressa para que o teu perfume não me saia mais do corpo.

domingo, 25 de maio de 2008

Beijo

Foi como em todas as outras vezes: mal nos conhecíamos quando o primeiro beijo aconteceu. Ali, naquele tempo, naquele lugar de tão soturno e duvidoso bom gosto e romantismo. Tu estavas deslumbrante, eu, de pé, hesitante e preso na distância próxima entre nós que fazia ouvir a respiração e bater forte de coração, as mãos frias ou de frio, ou de nervos, ou de ambos já com um sabor de amido diferente pela boca, lábios molhados e olhos cerrados.

sábado, 24 de maio de 2008

Barcos

Não sei como amar acontece, nem o onde, nem o como. Sei que um dia houve em que todos os barcos sairam do meu cais em direcção ao teu porto e nunca mais houve no meu mar aquelas velas que diziam da minha solidão…